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Dr. Rafael Cesário

Oftalmologista
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EDIÇÃO 63

 

CATARATA

 

 

Muito antes de imaginarmos capturar imagens em máquinas fotográficas a natureza criou os olhos, um órgão fantástico capaz de desvendar com um “simples olhar” o ambiente ao nosso redor. Quando olhamos um objeto distante numa paisagem, nossos olhos realizam ajustes automáticos para que possamos enxergar, com auxílio de óculos ou não, com a maior nitidez possível, o objeto de interesse. Como um órgão tão delicado e milagroso como os olhos realizam tal tarefa? A resposta evidentemente possui um alto grau de complexidade, mas um dos alicerces deste fenômeno é a mudança do formato do cristalino, a lente natural que se encontra no interior dos olhos. O cristalino é capaz de mudar seu formato focalizando objetos em diferentes distâncias.

Sendo o cristalino uma lente biológica no interior dos olhos, que quando saudável possui uma transparência praticamente límpida, inúmeros processos patológicos podem macular sua natureza, formando a catarata. A definição de catarata é portanto qualquer opacificação no substrato do cristalino.

As causas de catarata são diversas, existem aquelas congênitas devidas a infecções, como rubéola, durante a gestação, metabólicas e hereditárias, cataratas adquiridas associadas a doenças sistêmicas como diabetes, dermatite atópica e distrofia miotônica, adquiridas devido a trauma ou substâncias tóxicas, adquiridas após o uso de medicações como os corticóides.

A classificação das cataratas também é diversa, havendo cataratas polares, corticais subcapsulares anterior e posterior, nucleares e outras subclassificações.

Uma vez que haja catarata e esta torna a visão prejudicada a ponto de alterar negativamente a qualidade de vida ou a saúde do paciente está indicada o procedimento cirúrgico. Infelizmente ainda não há uma solução não cirúrgica para catarata que seja comprovada cientificamente e com resultados no mínimo razoáveis.

Atualmente a facectomia, o termo técnico para a cirurgia de catarata, atingiu um estado de arte, onde a tecnologia aliada ao talento do cirurgião tem tornado os resultados cada vez mais surpreendentes. O método mais moderno para resolução da catarata é a facoemulsificação, uma cirurgia baseada em ultrassom, e não a laser como popularmente difundido.

Uma avaliação criteriosa com a solicitação de exames adequados aliados a um planejamento cirúrgico tornam a facectomia bem segura.

 

 

 

 

EDIÇÃO 62

 

A VISÃO DE UM MILAGRE DIÁRIO

 

 

A maioria dos computadores atuais têm câmeras acopladas conhecidas como webcam que geram imagens digitais através de processos complicados. Para que possamos acionar nossa webcam é preciso ligar o computador, esperar a inicialização de diversos programas, escolher um programa compatível com o uso da câmera, esperar seu início e posteriormente enviar nossa imagem através de suas lentes, imagem esta nem sempre tão nítida. Em contrapartida, todos os dias abrimos os olhos ao acordar e automaticamente enxergamos, sem a necessidade de esperar que nosso computador cerebral realize um ritual de inicialização.

            O que aparentemente é simples, representa um processo de alta complexidade, que se inicia pela captação da luz, transformação da luz em informação nervosa, processamento desta informação, que praticamente ocorre por toda via óptica, e integração da visão com outros sentidos, como a audição e o olfato.

A interação com nosso ambiente é tão visual que cerca de 80% de todas nossas informações sensoriais processadas no cérebro são relacionadas à visão. A maioria de nossas atividades cotidianas espelha esta realidade: ler, dirigir, assistir a filmes, utilizar o computador, admirar imagens, entre outros.
Nosso sistema visual, assim como tudo que existe ao nosso redor, sofre a ação do tempo, de diversas doenças e inclusive do nosso mau uso ou descuido.  Quantos de nós, saudáveis a princípio, lembramos dos olhos durante uma jornada diária? Como protegê-los ou higienizá-los após grande exposição a agressões ambientais como o sol e poluentes no ar?

            O corpo humano, como descrito por André Luiz, equipara-se a um violino entregue ao artista, que necessita do afinamento de suas cordas para garantir o melhor desfrute de suas potencialidades.  Sendo assim cuide de sua saúde integral sempre seguindo os conselhos de profissionais especializados, pois desta forma você irá aproveitar o melhor deste milagre diário que é enxergar.

 

 

 

EDIÇÃO 61

 

LÁGRIMAS MUITO ALÉM DOS SENTIMENTOS

 

Quando somos chamados a refletir sobre a função das lágrimas logo nos surge a cena de uma pessoa extravasando seus sentimentos e os enxugando com lenços. No entanto esquecemos que a lágrima em sua função silenciosa nos acompanha em todos momentos trazendo essencialmente conforto, proteção e visão, sem que precisemos pensar em produzi-la.

A lágrima, ou filme lacrimal, é produzida por glândulas lacrimais num ritmo basal de 2 ìL/min, sendo distribuída pelas pálpebras de forma uniforme sobre a superfície ocular. Representa um líquido capaz de se manter, em condições normais, por mais de 10 segundos sobre os olhos sem evaporar entre as piscadas, sendo isto possível principalmente por sua constituição e interação com epitélio corneano e conjuntival.

Além disso, nosso filme lacrimal possui cerca de 500 proteínas diferentes com funções muito importantes. A Lisozima, por exemplo, é capaz de combater infecções de forma notável, contribuindo para a defesa de nossos olhos diante de um ambiente tão agressivo. Quantas conjuntivites você já teve neste ano? Nenhuma? É algo a se pensar quando falamos dos olhos, um órgão tão milagroso.

Quando há disfunção lacrimal seja pela baixa produção da mesma ou então a presença de lágrima alterada em sua estrutura e composição, advêm os sintomas e os possíveis danos a superfície ocular. Os sintomas podem ser sensação de queimação, secura, “areia nos olhos”, piorando ao longo do dia, com o maior uso dos olhos e em ambientes secos e com vento.

As causas de disfunção lacrimal são variadas: envelhecimento, uso de medicamentos, inflamação das pálpebras, doenças reumatológicas, distúrbios neurológicos, carências vitamínicas, entre outros.

No consultório oftalmológico é possível avaliar-se a qualidade das lágrimas, assim como a superfície ocular, detectando-se possíveis distúrbios de forma precoce e ate mesmo os prevenindo. Os danos podem ser leves, mas defeitos epiteliais crônicos podem permitir lesões graves.

A importância desta discussão torna-se evidente quando notamos o impacto do distúrbio lacrimal na qualidade de vida de um paciente. A vida moderna exige cada vez mais da visão que deve ser capaz de interagir com grande quantidade de imagens e textos durante um dia de trabalho, e devemos assim lembrar-nos das lágrimas como fator fundamental ao conforto visual.

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