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Professora Cristina
Ripper
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CURIOSIDADES
GERAIS SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA
Pequenos detalhes que fazem a diferença. É sempre
bom prestar atenção aos pequenos detalhes. O artigo
definido que o diga. Pequena letra que, bem empregada, traz grandes
benefícios, mas do contrário, faz grandes estragos.
Por isso, para empregá-lo é preciso sabedoria e arte.
Querem ver?
- Os alunos fazem manifestações contra o provão.
- Alunos fazem manifestações contra o provão.
Conseguem perceber a diferença?
Quando escrevo os alunos, englobo todos os alunos. Mas se não
quero me referir a todos, basta que retire o artigo, como está
escrito na segunda frase e então estarei me referindo a alguns
alunos.
Os segredos do artigo não param por aí. Um deles se
refere à repetição nas enumerações.
São casos assim:
_ Nos últimos anos, conceitos, técnicas e processos
orçamentários tiveram consideráveis mudanças.
Conceitos, técnicas e processos formam quase uma só
coisa, não há, portanto, necessidade do emprego do
artigo diante de cada substantivo. Mas se quero enfatizá-los,
uso o artigo. Assim:
_ Nos últimos anos, os conceitos, as técnicas e os
processos orçamentários tiveram consideráveis
mudanças.
Apesar de parecer um insignificante monossílabo, o
artigo pode nos surpreender e o melhor que temos a fazer é
conhecer suas manhas e aplicá-las.
Mudando de assunto, preste atenção nessas rápidas
dicas , mais eficazes:
1- Não se usa a expressão medida
em que. Ou se usa a medida que correspondente à proporção
que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.
2- Mantenha o timbre fechado do o no plural dessas
palavras: almoços, bolsos, polvos , etc.
3- O certo é a meu ver e não ao
meu ver.
4- “`A-toa”, com hífen, é um adjetivo
e significa “inútil”, “desprezível”.
Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa.
” À toa, sem hífen,
é uma locução adverbial e quer dizer a “esmo”,
“inutilmente”. Ex: Andava à toa na vida.
Deixo aqui uma questão para ser discutida na próxima
edição: Você sabia que a palavra hífen
é acentuada, mas hífens não? Por quê?
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Mesmo às vésperas de mudanças na língua
portuguesa, ainda restarão muitas observações
a respeito dela. E a proposta desta coluna não é fazer
um tratado de regras, mas mostrar algumas curiosidades.
FALAR
OU DIZER
Já
parou algum dia e se perguntou:
Por que falamos ou dizemos alguma coisa?”
Falar tem a ver com o ato da fala e dizer com o conteúdo
que é expresso. Ou seja, quem fala , fala muito, fala mal
e quem diz, diz besteiras, diz verdades...Falou?
A
MEDICINA A SERVIÇO DA GRAMÁTICA
Muitas vezes, o desconhecimento faz com que sejamos imprecisos no
emprego das palavras, portanto vale a pena caprichar.
Por exemplo: febre alta. Na verdade, toda febre é temperatura
alta. Febre baixa, pelo menos na medicina gramatical, também
não existe. Outro exemplo: tirar a pressão. Imagine
uma enfermeira tirando a pressão sangüínea de
alguém! Ela morrerá na hora. É bem melhor pedir-lhe
para medir a pressão. Certo?
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. “ALUGA-SE ou ALUGAM-SE apartamentos?”
O
certo é “ALUGAM-SE apartamentos”.
A
presença da partícula apassivadora “SE”
faz a frase ser passiva, ou seja, o sujeito é quem sofre
a ação do verbo(= apartamentos), e não quem
pratica a ação de alugar. É o mesmo que eu
dissesse que “apartamentos são alugados”.
Em “VENDE-SE este carro”, o verbo fica no singular porque
o sujeito (=o carro) está no singular; em “VENDEM-SE
carros usados”, o verbo vai para o plural porque o sujeito
(=carros usados) está no plural. Correspondem a: “Este
carro é vendido” e “Carros usados são
vendidos”.
2.
“PRECISA-SE ou PRECISAM-SE de operários?”
O
certo é “PRECISA-SE de operários”.
Neste
caso, a partícula “SE” tem a função
de tornar o sujeito indeterminado. Quando isso ocorre, o verbo permanece
obrigatoriamente no singular: “Necessita-se de profissionais
competentes”; “Acredita-se em discos voadores”;
“Aspira-se a grandes vitórias”.
É interessante notar a presença da preposição:
“precisa-se de”, “necessita-se de”, “acredita-se
em”, “aspira-se a”. Isso é uma indicação
de que a partícula “se” é indeterminadora
do sujeito.
Site: colunas.g1.com.br/portugues
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