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Anna Maris de Figueiredo

Guia e Coordenadora de Educação e Turismo da Rede Municipal
Ateneu Angrense de Letras e Artes

 

 

EDIÇÃO 65

 

Poeta Brasil dos Reis, talento e arte popular

 

 

 

 

“ Este belo e fino esteta,não é dos Reis, é do povo”, o definiu, tão sabiamente,o poeta niteroiense Luís Antonio Pimentel em antigas publicações jornalísticas e nas rodas, que marcaram época,do Café Paris,naquela cidade. E, assim poderíamos traduzir nosso maior poeta pelo valor de suas obras, por sua simplicidade, pela vivência cultural, pelo expressivo talento que imprimiu por mais de meio século, não somente em Angra,  mas nos diversos lugares do Estado do Rio, em que residiu e por onde passou, exercendo, como ele próprio,declarou: “o seu viver de beduíno e trovador”.

Considerado como um dos maiores poetas fluminenses, Benedito Angrense Brasil dos Reis Vargas,ou, simplesmente Brasil dos Reis,nasceu a 04 de maio de 1895, em Angra dos Reis.Seus pais chamavam-se: Oscar Jordão da Silva e Iria Amélia dos Reis Vargas. Até 1916, o poeta assinava-se Benedito Reis Vargas, ou quando escrevia para jornais, apenas: B.Vargas,também usando o pseudônimo Jupy.

Acrescentando Angrense e Brasil, em homenagem à terra natal e ao país de origem, formou o seu nome definitivo: Brasil dos Reis. Aprendeu as primeiras letras, na cidade de Angra dos Reis com o professor Estevão Suzano Fasciotti. Daí por diante foi um autodidata, conseguindo por esforço próprio,uma esplêndida cultura literária. Com onze anos já fazia versos e escrevia pequenos jornais manuscritos; mas aos catorze anos estreava na imprensa de sua terra, colaborando no “Sul Fluminense” e no “Recreio da Tarde”. Na “Gazeta de Angra”trabalhou como tipógrafo, o que contribuiu muito para o seu aprimoramento como jornalista e historiador.

Em 1917, com apenas 22 anos, mudou-se para Parati, onde lançou seu primeiro jornal, “O Prélio”, que teve vida curta. Em 1923 e 1924, esse jornal reapareceria, primeiro em Itaguaí, depois em Niterói. Saindo de Parati, assumiu a gerência de “O Comércio”, em Santa Cruz. De 1917 a 1922, serviu ao Exército, participando em 1920 de uma expedição militar à Bahia. Durante este período, o jovem poeta escreveu e publicou na imprensa, grande parte de sua obra literária, em prosa e verso. Simultaneamente escreveu em jornais de Angra, Parati e Juíz de Fora. Trabalhou também na Revista e no Estado, lançando seu livro de estréia: “Lugares Comuns”.

Daí por diante, atuou em inúmeros jornais de Niterói, como: o Fluminense e o Diário da Manhã,entre outros. No ano de 1929 fundou “A Verdade”, jornal que durou um ano, em Parati. Nesta cidade, durante o período que ali viveu, exerceu seu único cargo e emprego público, atuando como Secretário da Prefeitura.Em 1930, já residindo em Angra, fundou  O Litoral, que circulou com certa regularidade até o ano de 1938. De 1946 a 1947, Brasil dos Reis atuou como Diretor-Gerente de “O Fluminense”, em Angra. Porém,seu espírito dinâmico,o  fazia dirigir dois jornais em Angra dos Reis e a trabalhar também no Rio de Janeiro,dirigindo a “Gazeta de Notícias”.

Desgastado fisicamente,precisou fazer um sério tratamento de saúde por um ano, em Niterói. Já recuperado, passou a comprometer-se com a pesquisa histórica e literária, acumulando um riquíssimo acervo de tradições angrenses. Em1953, a pedido do Prefeito Municipal, João Gregório Galindo, publicou o “Guia Turístico e Cultural de Angra dos Reis”.

Quanto a produção literária de Brasil dos Reis, além do que escreveu em jornais e revistas, podemos citar que nos legou um acervo significativo, do qual, podemos citar: O sonho de Tiradentes, Migalhas, Brasões Angrenses, Legenda Lírica, Sabiás da Terrra Fluminense e tantos outros títulos.

Em 1973, junto com o escritor e historiador Alipio Mendes e com um grupo de incentivadores da cultura local, fundou o Ateneu Angrense de Letras e Artes. Por seus méritos literários, Brasil dos Reis pertencia a diversas instituições culturais,entre as quais, podemos citar: A Academia Niteroiense de Letras, a União Brasileira de Trovadores, a Academia de Letras de Uruguaiana e a Academia de Letras Três Fronteiras.

Faleceu em maio de 1975, na terra que sempre amou e exaltou e está sepultado no cemitério da Ordem Terceira do Carmo. No centenário de seu nascimento com o apoio de sua família, especialmente o de sua filha, Conceição Brasil dos Reis, do Ateneu Angrense de Letras e Artes, do Fórum de Literatura composto por membros do Conselho Municipal de Cultura e a contribuição de vários artistas locais e aqui radicados, várias homenagens lhe foram prestadas, tais como: Noite de Exaltação no Clube Vera Cruz e a publicação de uma coletânea com parte de sua obra e que foi intitulada: “Cem Anos de Poesia de Brasil dos Reis.”

O poeta é ainda: nome de rua na Praia do Anil, nome de escola, no Matariz e dá nome, merecidamente, à Casa de Cultura de Angra dos Reis. A Câmara Municipal também em sua homenagem concede a Medalha do Mérito Cultural Poeta Brasil dos Reis e o Ateneu Angrense de Letras e Artes realiza anualmente o Concurso de Poesia Brasil dos Reis, já com mais de vinte edições. O bloco da Feliz Idade também já realizou um lindo desfile, tendo como tema, o poeta Brasil dos Reis.

Nosso poeta, sempre gostava de andar pelas ruas da cidade de chapéu,terno claro e já idoso, usando uma bengala de madeira para se apoiar, modesto, muitas vezes não assinava seus trabalhos,que estão espalhados em várias partes do Brasil, da América e do Mundo. Salve o nosso poeta popular, Benedito Angrense Brasil dos Reis! Até a próxima edição!

 

 

 

 

 


 



 
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